Cúpula dos Povos é espaço de todos

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Diário do Nordeste, Rio de Janeiro, Brazil

Andar pela Cúpula dos Povos, evento paralelo à Rio+20, organizado pela sociedade civil global, é uma grande mistura de sensações. Há espaço para todas as cores, traços, cheiros e sabores. No lugar, é permitido expressar todo tipo de sentimento e ideal.

Há quem comercialize a sua arte, presenteie seus pensamentos, ofereça a paz, questione ideologias, a lógica do mercado. Enquanto a conferência oficial discute a economia verde, a Cúpula dos Povos a questiona. A indagação repousa sobre o sistema que estimula um mercado que avilta o tempo normal que a natureza tem para se regenerar ao estimular um consumo insaciável.

Em apenas uma manhã de andanças pela cúpula vi muitas experiências interessantes de se dividir com quem não teve a oportunidade de participar. Uma delas é a tecnologia desenvolvida por um grupo de biólogos de São Paulo que carrega equipamentos por meio de pedaladas. É como se transformássemos o nosso colesterol em carga para celulares ou tablets.

Em minhas andanças no Parque do Flamengo, conheci o "Homem Planta". Desde 1999 o mineiro José Gerardo da Silva, hoje com 52 anos, se fantasia para declarar o amor pela natureza: "Devemos preservá-la como a nossa própria vida", resume.

Mais uns passos, encontro Samuel Braga. Um cearense que esteve na Rio - 92 e me contou alguma coisa sobre avanços e retrocessos nestes 20 anos. "Tivemos alguns avanços, como a Lei de Crimes Ambientais, mas em termos de política públicas, tivemos avanços e recuos. É inaceitável esse desmonte da política nacional de meio ambiente", lamentou referindo-se ao Código Florestal.