Energia sustentável é tema de recomendações

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Diário do Nordeste, Rio de Janeiro, Brazil

A executiva chefe da Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), Elbia Melo, única brasileira na mesa sobre Financiamento da Energia para o Desenvolvimento Sustentável, lembrou que foi a partir da Eco - 92 que o mundo começou a pensar em sustentabilidade. Na ocasião, o consumo de energia foi apontado como um dos principais agravantes dos problemas ambientais, principalmente por causa da base fóssil.

Na época, passou-se a buscar tecnologias para superar, inclusive, a questão da dependência energética. Isso acabou beneficiando os países em desenvolvimento por causa dos potenciais naturais renováveis.

Hoje, o Brasil já conta com sete fábricas de turbinas eólicas. As empresas do setor se dividem em três grandes grupos: o das novas, com cinco ou seis menores; as tradicionais do setor elétrico que estão abrindo áreas de renováveis; e as dos fundos do mercado financeiro. O maior potencial eólico está no Rio Grande do Norte, Ceará, Bahia e no Rio Grande do Sul.

Para o ministro de Energia e Recursos Hídricos de Serra Leoa, Oluniyi Robbin-Coke, que também fez parte da mesa, os subsídios são fundamentais para tornar esses negócios mais atraentes, sem deixar de lado a inclusão social e a proteção ambiental, no caminho da Economia Verde que a Conferência do Rio de Janeiro persegue.

Diálogos Sustentáveis

O tema Energia Sustentável para Todos reuniu dez debatedores, brasileiros e estrangeiros, entre acadêmicos, empresários e representantes de ONGs na primeira sessão dos Diálogos para o Desenvolvimento Sustentável da última segunda-feira. Do encontro, saíram três recomendações que serão levadas aos Chefes de Estado e de Governo durante o Segmento de Alto Nível da Rio+20, que começa hoje.

Estabelecer metas ambiciosas para avançar no uso de energias renováveis. Esta foi a proposta eleita pelos cerca de dois mil membros da sociedade civil presentes no Riocentro. Tomar medidas concretas para eliminar subsídios a combustíveis fósseis foi a recomendação eleita pelas votações realizadas pela Internet, encerradas no dia 15 de junho. Os debatedores, por sua vez, estabeleceram uma nova recomendação: incrementar investimentos e vontade política para garantir acesso universal, igualitário e barato a serviços de energia sustentável até 2030.

O diretor do Instituto Alberto Luiz Coimbra de Pós-Graduação e Pesquisa de Engenharia da Universidade Federal do Rio de Janeiro (COPPE/UFRJ) e secretário-executivo do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, Luiz Pinguelli Rosa, lembrou que o debate sobre os subsídios para os combustíveis fósseis deve considerar o objetivo do consumo. "Se é para colocar gasolina em carro particular, eu sou contra. Mas, se é para gás de cozinha - mais eficiente que lenha do desmatamento - sou a favor".

Os Diálogos para o Desenvolvimento Sustentável iniciaram-se no dia 16 de junho, no Riocentro. Até ontem, foram dez rodadas de discussão, que abordaram temas prioritários da agenda internacional de sustentabilidade. A cada rodada, três propostas foram escolhidas, uma pelos palestrantes, uma pelos participantes e uma pelos internautas. As trinta sugestões mais votadas estão sendo levadas diretamente aos Chefes de Estado e de Governo presentes na Rio+20.

Os dez temas dos Diálogos foram: Desemprego, trabalho decente e migrações; Desenvolvimento sustentável como resposta às crises econômicas e financeiras; Desenvolvimento sustentável para o combate à pobreza; Economia do desenvolvimento sustentável, incluindo padrões sustentáveis de produção e consumo; Florestas; Segurança alimentar e nutricional; Energia sustentável para todos; Água; Cidades sustentáveis e inovação e Oceanos.