Carta de ONGs lamenta falta de compromisso de líderes

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Diário do Nordeste, Rio de Janeiro, Brazil

Segundo Marina Silva, a sociedade civil não se vê representada nos 283 pontos do documento aprovado na Conferência

No mesmo dia em que organizações ambientais, como a Rede de ONGs da Mata Atlântica e o Instituto de Pesquisas Ecológicas (IPE), comemoravam, junto com a Rio-92, 20 anos de existência, várias entidades e personalidades expressaram desgosto com o texto que deve ser aprovado hoje por plenária dos chefes de Estado reunidos na Rio+20.

Considerando a falta de compromissos, ações e resultados concretos da conferência, líderes e personalidades de diversos segmentos da sociedade civil envolvidos no processo de negociação protocolaram, na representação da ONU, uma carta às delegações dos países, registrando que não endossam ou subscrevem o documento da conferência, já que não estão satisfeitos com seus resultados.

A carta afirma que "o futuro que queremos" está longe de ser o documento com este nome. Ela conta com a assinatura de nomes como o da ex-ministra do Meio Ambiente, Marina Silva; do diretor-executivo do Greenpeace, Kumi Naidoo; do ex-diretor de Meio Ambiente da ONU, Ashok Khosla; do economista polonês Ignacy Sachs; da bióloga canadense Severn Suzuki; da presidente da ONG WWF, Yolanda Kakabadse; e do economista brasileiro Ricardo Abramovay.

Indecisão

Para Marina Silva, se o objetivo era um documento sem decisão, foi conquistado. "A Rio+20 esmaeceu a memória da Rio 92", disse. Ela acrescentou que a expectativa é de que se faça alguma coisa. "Se eles não fizerem, vamos voltar para nossas casas com o compromisso de fazer, porque não podemos entregar o futuro na mão de quem não resolve decidir por ele", advertiu.

"O futuro que queremos tem compromisso e ação, não apenas promessas. Ele tem a urgência para inverter a crise social, ambiental e econômica, não adiá-la. Tem cooperação e está em sintonia com a sociedade e as suas aspirações, e não apenas com a posição confortável de governos", destaca a carta.

Ainda segundo o texto, nenhuma dessas aspirações pode ser encontrada nos 283 parágrafos do documento oficial, legado da Conferência. O texto, intitulado "O Futuro que queremos", segundo o grupo, "é fraco e está muito aquém do espírito e os avanços feitos ao longo dos anos desde a Rio-92".

O documento prevê, ainda, que a Rio+20 "vai para a história como a conferência da ONU que ofereceu à sociedade global um resultado marcado por graves omissões. Ele põe em perigo a capacidade de resistência e preservação social e ambiental do planeta, bem como qualquer garantia dos direitos humanos para as gerações futuras".

Por fim, as organizações ambientais e personalidades signatárias expressam o desapontamento com os chefes de Estado e exigem a retirada do trecho "com plena participação da sociedade civil" da declaração oficial da Rio+20, por "não serem condescendentes ou aprovar o documento".