Crianças plantam árvores no evento

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Diário do Nordeste, Rio de Janiero, Brazil

Apesar das críticas em relação aos resultados da Rio+20, iniciativas de instituições ainda simbolizam esperança

Foram três dias de reunião do alto escalão da Conferência das Nações Unidas sobre Desenvolvimento Sustentável (Rio+20) sob chuva. Ontem, particularmente, o céu encoberto exacerbou a sensação de frustração ao se alcançar o fim da tão esperada reunião mundial para traçar o destino do planeta nos próximos 20 anos. Para quem aprovou, o documento dá indícios do que se tem a fazer, para a sociedade que acompanhou as discussões atentamente, ele é vago e descompromissado.

Antes mesmo de iniciada a discussão, analistas mais críticos já declaravam que a frustração viria, pois o contexto de crise econômica que abate o mundo desenvolvido já era posto como impedimento aos investimentos necessários para garantir a condições básicas do desenvolvimento sustentável com o tripé econômico, ambiental e social. Alguns já diziam que a Economia Verde com inclusão social, apregoada pelo governo brasileiro, não teria base sólida para se desenvolver sem mudanças estruturais mais básicas.

A esperança dos participantes da sociedade civil é de que a mobilização, amplificada pelas redes sociais que não existiam há 20 anos, possa servir para mudar as pessoas e, com isso, alguma coisa acontecer.

Assim como os gestores públicos dos Estados do Semiárido Nordestino se comprometeram em debater e propor ações de combate à desertificação no contexto das mudanças climáticas globais no processo preparatório para a Rio + 20, muitos outros participantes assumiram os mais diversos compromissos individuais e coletivos pela melhoria e manutenção da qualidade da vida na Terra.

Esperança

As crianças da iniciativa global Plant-for-the-Planet fizeram a alegria dos fotógrafos na tarde de ontem, no Riocentro, ao plantarem duas árvores. Protagonizado pelo pequeno Galileo, de 4 anos, o plantio simbolizou a esperança da superação da crise climática. Também foi um protesto contra o novo Código Florestal, já que as árvores foram batizadas de "Veta" e "Dilma".

O Plant-for-the-Planet luta por justiça climática em todo o mundo e desenvolve o "Plano 3 Pontos para Salvar Nosso Futuro", que consiste na eliminação progressiva do uso de combustíveis fósseis, até 2050, considerando a equivalência de direitos per capita de emissões em nível mundial com o plantio de 1 trilhão de árvores - 150 árvores por cidadão.

O alemão Kjell Kühne, pai de Galileo, está no Brasil desde março para divulgar o movimento. A ideia começou em 2007, quando Felix Finkbeiner, de 9 anos, apresentou na escola, na Alemanha, um projeto de plantio de árvores. Atualmente, cerca de 100 mil crianças de 100 países estão envolvidas na iniciativa.