Ilhas Cagarras se destacam na paisagem da Praia de Ipanema

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Diário do Nordeste, Rio de Janeiro, Brazil

Manasi da Silva Rebouças, de 23 anos, nasceu no Ceará, mais precisamente no Pontal do Maceió, uma vila de pescadores no município de Fortim, litoral leste, a 132 quilômetros de Fortaleza. Mas, há pouco mais de um ano, decidiu seguir o destino do pai, e trocou as tépidas águas da sua terra natal pelo mar frio do Rio de Janeiro. Há oito meses, porém, a vida do jovem pescador mudou quando ele passou a integrar um projeto ambiental de conservação do Arquipélago de Cagarras, onde faz o monitoramento dos peixes e auxilia na integração com a comunidade da qual faz parte, por meio da Colônia Z-13.

Para Manasi, a mudança foi boa, muitos conhecimentos foram adquiridos, embora destaque que a pesca local, por ser artesanal, não cause tanto impacto ambiental. "Mas conseguimos entender um pouco mais a importância das ilhas", admite. Segundo suas informações, o peixe mais frequente, durante o ano inteiro, é a corvina.

Formado pelas ilhas de Palmas, Cagarra, Comprida, Redonda e as ilhotas Filhote da Cagarra e Filhote da Redonda, em abril de 2010, o Arquipélago de Cagarras tornou-se a primeira Unidade de Conservação (UC) Marinha de Proteção Integral do Rio de Janeiro. As Ilhas Cagarras estão situadas cinco quilômetros ao sul da Praia de Ipanema, Zona Sul da cidade do Rio de Janeiro e sofrem influência da corrente do Brasil durante o ano inteiro. No verão, as águas ficam mais frias devido ao fenômeno da insurgência que ocorre no Sudeste do Brasil.

Apesar da proximidade e amplo uso por diversos segmentos, essas ilhas ainda são desconhecidas pela maioria da população carioca, fato constatado por meio de pesquisa quantitativa da percepção ambiental. O Projeto Ilhas do Rio tem como objetivo consolidar o Monumento Natural (MoNa) das Ilhas Cagarras por meio da disponibilização de um banco de dados para embasar o plano de manejo daquela Unidade de Conservação Marinha, demonstrando a efetiva recuperação do ecossistema e o envolvimento da comunidade.

Para isso, além de caracterizar o ecossistema, monitora a atividade pesqueira, capacita os membros das colônias de pescadores e o setor turístico para o desenvolvimento econômico sustentável da região e realiza atividades de educação ambiental com a sociedade em geral.

O Projeto é formado por uma equipe de profissionais associados ao Instituto Mar Adentro, que desenvolve pesquisa científica, educação ambiental e mobilização social com o incentivo do Programa Petrobras Ambiental (PPA). Contemplado pelo quarto edital do PPA, no fim de 2010, o Projeto teve início no ano passado. Segundo Fernando Coreixas de Moraes, biólogo marinho e pesquisador do Instituto Mar Adentro, a iniciativa partiu de um grupo de sete amigos, sendo seis biólogos e uma jornalista, quatro deles já pós-doutores, o que lhes conferiu um arcabouço científico muito bom, pois todos tinham conhecimento sobre ilhas oceânicas.

Ainda segundo as suas informações, hoje se conhece mais a biodiversidade das ilhas de São Pedro e São Paulo que estão a 1.010 quilômetros da Natal (RN) do que das Cagarras, situadas a quatro quilômetros de uma das áreas mais populosas do País, o que reforçou a necessidade de gerar conhecimento e um plano de manejo, assim como mobilização social.

As pesquisas apenas começaram e Fernando conta que já esteve na primeira expedição a atingir o cume da Ilha Redonda, a 240 metros de altitude, onde foram encontrados machados de pedra polida de mais de mil anos, e arqueólogos passaram a constituir a equipe de pesquisadores. As linhas básicas de pesquisa incluem fauna e flora marinha e terrestre.

Fabiana Bicudo, chefe do Monumento Natural do Arquipélago de Cagarras pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), explica que o arquipélago, além de enfatizar a beleza natural da cidade, é fundamental para as aves migratórias, com destaque para a fragata (Fregata magnificens), por constituir o segundo maior berçário da espécie no país. O primeiro está no Arquipélago dos Alcatrazes, situado a aproximadamente 45 quilômetros do Porto de São Sebastião, no litoral de São Paulo.

Com relação a impactos, o grande destaque é a poluição proveniente da Bahia da Guanabara. "Já encontramos indícios de contaminação nas penas das aves, que estão no topo da cadeia ecológica", destaca. A proximidade da Marina da Glória, com a consequente circulação de embarcações também preocupa: "Por ser uma área protegida urbana, sofre muitos impactos, mas estamos trabalhando com o ordenamento do turismo para minimizar o barulho que atrapalha a reprodução dos pássaros".

Durante a Conferência das Nações Unidas sobre Sustentabilidade (Rio+20), um grupo de jornalistas de 18 países, bolsista da Internews / O Eco na cobertura da Conferência, pode conhecer o Projeto de perto.