Brazil protection is below the goal

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Valor, Cancun, Mexico

English Summary: Creating marine protected areas is a long, expensive and non moving forward process in Brazil. The effort is blocked by lack of scientific information and political barriers created by conflicts within the government.


Criar áreas de proteção marinhas é um processo longo, caro e que não avança no Brasil. O esforço emperra com a falta de informações científicas e entraves políticos criados por conflitos dentro do governo.

O Brasil tem 1,5% de áreas marinhas protegidas. A meta global, assim como a nacional, é de chegar a 10% em 2020. Mas a mais recente área protegida criada, o arquipélago de Alcatrazes, de agosto, esperou 23 anos para sair do papel.

Não temos instrumentos para ultrapassar os 5% de áreas protegidas nos próximos quatro anos. Chegaremos em 2020 com metade da meta marinha, e isso se tivermos sucesso”, diz Claudio Maretti, diretor de ações socioambientais e consolidação territorial do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

Enquanto o Ministério do Meio Ambiente procura proteger a biodiversidade e a sustentabilidade dos estoques pesqueiros, o da Agricultura favorece a pesca industrial e a aquicultura. A Marinha, por sua vez, não quer restrições ao transporte e acesso militar. O setor energético teme travas ambientais à exploração do Pré-sal.

A consequência da inação é concreta. “Todas as espécies de interesse econômico estão sobreexplotadas no Brasil”, diz Ugo Vercillo, diretor de conservação de espécies do MMA. “Os estoques pesqueiros sofrem com o excesso de esforço de pesca e baixa capacidade de ordenamento.”

O tubarão-martelo, por exemplo, é uma das 59 espécies que não podem ser pescadas no Brasil porque estão ameaçadas. “Não ter tubarão é um indicador de desequilíbrio na cadeia marinha”, diz José Truda Palazzo Jr., fundador da iniciativa Divers for Sharks.

A indústria pesqueira tem se oposto à criação de unidades de conservação marinhas. Existe o mito de que não servem para nada”, diz Angela Kuczach, diretora da Rede Nacional Pró Unidades de Conservação. “Mas estas áreas é que vão garantir os estoques de peixes para o futuro.”