Little progress after climate talks end in Marrakech

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Época, Marrakech, Morocco

Abstract: UN climate talks at Marrakech end with a declaration and a few improvements for the Paris Agreement. For WRI's director David Waskow, there were a strong sense of commitment from parties

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Negociações sobre aquecimento global avançam após nova rodada da Conferência do Clima

David Waskow, do WRI, faz um balanço sobre o final da 22ª Conferência do Clima da ONU, que aconteceu em Marrakech, Marrocos. Ele viu progresso na implementação do Acordo de Paris

Na semana passada, 197 países do mundo estavam reunidos em Marrakech, no Marrocos, na 22ª Conferência do Clima da ONU. Eles negociam a implementação do Acordo de Paris, que determina a redução de emissões de gases poluentes para limitar o aquecimento global. No último dia de Conferência, ÉPOCA conversou com David Waskow, diretor da World Resources Institute (WRI), para fazer um balanço sobre a Conferência. Para Waskow, houve progresso nas negociações, apesar de parecer um processo devagar. A “demora” acontece porque o Acordo de Paris inclui todos os países, sejam os ricos, sejam os em desenvolvimento – um processo diferente do Protocolo de Kyoto, que só exigia metas de países desenvolvidos.

Waskow também falou sobre a influência dos Estados Unidos nas negociações, já que os EUA elegeram um presidente que já contestou a ciência do clima. “Se a nova administração dos EUA não tiver uma ação climática, não investir em renováveis, vai ficar para trás. Se não negociar na mesa internacional, vai ficar isolada”, disse.

ÉPOCA – A Conferência do Clima acaba com muito discurso positivo, mas pouca prática. Por que isso acontece?
David Waskow – Você acha? Creio que teve muita ação. Tivemos mais de 40 países anunciando que querem ter 100% de energia renovável. Foi criada uma parceria entre mais de 30 países e intituições para ajudar os países em desenvolvimento a fazer planos climáticos. Alemanha, EUA, Canadá e México apresentaram os planos de ação para 2050. Há iniciativas em adaptação e agricultura para a África. A lista continua. Especificamente sobre as negociações, tivemos algum progresso em financiamento e adaptação. São pontos importantes do Acordo de Paris. Mas claro que não tivemos um anúncio “big bang”. Isso já aconteceu no ano passado, foi o próprio Acordo de Paris. Nós já temos a receita. Agora precisamos ir para a cozinha e cozinhar.

ÉPOCA – Quer dizer que não temos um grande anúncio, como o Acordo de Paris, mas várias ações de diferentes interesses?
Waskow – O Acordo de Paris é construído em cima dos planos nacionais de cada país. É isso que estamos vendo: os países comprometidos com suas próprias agendas. Para os países com problemas de energia, investimento em renováveis é mais importante. Para os que têm muito desmatamento, é como proteger florestas. É um processo de feedback. Os países negociam, depois cada um volta para casa para fazer o que é preciso.

ÉPOCA – A eleição de Donald Trump nos Estados Unidos trouxe muita incerteza para as negociações climáticas?
Waskow – Teve, sim, um pouco de preocupação e incerteza, não há dúvida. Mas acho que todos estão com um senso muito forte de que é preciso avançar. É quase palpável essa determinação das delegações de cada país. Além disso, há uma série de dinâmicas com que a nova administração americana terá de se deparar. Por exemplo, as razões econômicas para investir em energias renováveis só crescem. E nós chegamos a um estágio em que mudanças climáticas estão no centro das discussões da diplomacia internacional. Não é mais um tema lateral. Se você olhar as reuniões do G20, do G7, essas reuniões do mais alto nível, verá que os líderes estão falando sobre mudanças climáticas. Não acho que isso vai parar. Se a nova administração dos EUA não tiver ação climática, não investir em renováveis, vai ficar para trás. Se não negociar na mesa internacional, vai ficar isolada. São dinâmicas que o próximo governo terá de lidar.

ÉPOCA – Em seu discurso, o secretário de Estado dos EUA, John Kerry, pôs uma enorme responsabilidade por parte das empresas e do setor privado em também agir contra as mudanças climáticas. Não está na hora de as empresas assumirem essa liderança?
Waskow – Acho que elas já estão fazendo isso. Nós batemos o recorde de empresas que estão colocando metas de redução de emissões para elas mesmas, já são mais de 200. São metas baseadas em estudos científicos, não é propaganda. Além disso, 350 empresas americanas assinaram um documento pedindo que o presidente atual e o futuro continuem com a ação climática. Acho que essas empresas perceberam que esse é o futuro e não querem ficar para trás.

ÉPOCA – Estudos mostram que 2016 será, novamente, o ano mais quente já registrado. Não parece que o avanço dos países está bem mais devagar do que o aumento do aquecimento?
Waskow – Sim, eu entendo que precisamos acelerar, mas esse processo é sobre incluir todo mundo. No Acordo de Paris, todos se comprometeram e todos estão avançando. Mas não pode ser a única coisa. Nós precisamos das empresas, das cidades, de governos estaduais, até das famílias. Todo mundo precisa se mover na mesma direção.