The return of the guarajuba

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Piauí, Rio de Janeiro

The guarajuba, Brazilian tree widely used for building furniture and boats along the 19 th century, was Considered to be extinct in nature. The last time a botanical expedition found it was in 1942, and it entered IUCN's Red List of Threatened Species in 1998. In 2015, though, researchers from Rio de Janeiro's Botanical Garden identified some living specimens of Terminalia acuminata in that city. After they organized expeditions in search for it this year, they were surprised to find over 200 individuals (story in Portuguese).

Since 2015, 229 guarajubas have been found, trees declared extinct in nature in 1998 (photo: IUCN)

A few months ago, biologist Eduardo Fernandez did not have many options if he wanted to have access to his main object of study, a tree popularly known as guarajuba, which occurs only in Rio. He could observe it in the Botanical Garden of Rio de Janeiro, where there are only six specimens, or settle for samples preserved in herbaria.

Owner of a clear and showy trunk that seems to be peeling, the guarajuba reaches to reach 30 meters of height. In 1846, when he described it, the naturalist Francisco Freyre Allemão baptized it of Terminalia acuminata and noticed that it predominated in the coastal shortage of Rio. Because its wood is of good quality and floats well, the tree lends itself perfectly to the manufacture of furniture and boats . As a result, it ended up undergoing indiscriminate exploitation and, in 1998, entered the Red List of Endangered Species . The catalog - produced by the International Union for the Conservation of Nature - lists animals and plants that are in danger or have disappeared. In it, the guarajuba figure as "extinct in nature".

Foi em 1942, no município de Maricá, que um botânico a coletou em campo pela última vez. Nas décadas seguintes, outros pesquisadores fizeram expedições à procura da árvore nas áreas onde ela já havia sido encontrada, mas sempre voltaram de mãos vazias. Até que, em 2015, um colega de Fernandez lhe deu uma notícia surpreendente: um grupo de engenheiros florestais topara com um espécime semelhante à guarajuba no Parque Estadual da Pedra Branca, na Zona Oeste carioca. O biólogo, que trabalha no Jardim Botânico, juntou uma equipe e saiu atrás da raridade. Na Estrada do Pontal, encontrou um senhor que reagiu com entusiasmo às perguntas dos cientistas: “A guarajuba? Claro que conheço! Usamos muito para construir canoas. Por acaso, tenho uma no meu quintal.”

Fernandez e seus colegas não acreditaram quando ouviram aquilo. “Logo estávamos no quintal do cara, diante de um exemplar com 20 e tantos metros”, contou. Por sorte, a guarajuba frutificara, e os pesquisadores puderam coletar amostras para análise – só é possível determinar com certeza a espécie de uma árvore a partir de seus frutos ou flores. No Jardim Botânico, uma especialista examinou o material e confirmou que se tratava realmente da Terminalia acuminata.

Pesquisadores coletam amostras da primeira guarajuba reencontrada desde 1942. A árvore estava no quintal de uma casa na Zona Oeste do Rio (foto: Lucas Moraes/JBRJ)

Eduardo Fernandez, um carioca moreno de 28 anos, organizou uma série de expedições em março de 2016 para localizar novos remanescentes da guarajuba. A partir de dados sobre a distribuição geográfica da árvore no passado, um software indicou as regiões nas quais seria mais provável encontrá-la hoje. O resultado das buscas saiu melhor do que a encomenda: com colegas do Jardim Botânico, o biólogo achou 229 exemplares da Terminalia, situados em vários pontos da cidade do Rio e numa unidade de conservação em Niterói.

Mas nada os preparou para o que iriam avistar no Parque Nacional da Tijuca, uma floresta urbana vizinha ao Jardim Botânico. Só ali o grupo identificou mais de 100 guarajubas. É, de longe, a maior concentração de “indivíduos adultos redescobertos”, como dizem os pesquisadores. “Encontramos tantas que, no fim, parei de contar”, relatou Fernandez enquanto se dirigia à floresta para mostrar as árvores. “Olha ali uma bitela”, apontou tão logo desceu da camionete. “Lá tem mais uma, e outra adiante.”

À beira de uma estrada que corta a mata, o cientista indicou dois exemplares cujas raízes estavam parcialmente cobertas pelo asfalto. Mesmo a poucos metros da sede administrativa do parque nacional havia uma guarajuba das grandes. “Elas proliferam em lugares por onde andamos o tempo todo e não são árvores que passam despercebidas. Como é que ninguém notou antes?”, perguntou-se o biólogo.

Guarajuba à beira da estrada no Parque Nacional da Tijuca. Mais de cem exemplares da espécie foram encontrados ali (foto: Bernardo Esteves)

Espanta que uma árvore desse porte tenha sido ignorada por tanto tempo numa área muito bem documentada. O Rio de Janeiro não só serviu de ponto de partida para expedições de naturalistas brasileiros e estrangeiros no século XIX como hoje sedia várias instituições de pesquisa botânica. “É embaraçoso admitir um desconhecimento tão profundo de nossa flora, mas precisamos aceitá-lo para repensar nossas estratégias de conservação ambiental”, ponderou Fernandez.

O cientista explicou que, atualmente, seus colegas preferem explorar regiões menos estudadas em vez de revisitar seu próprio quintal. Também lembrou que muitas zonas periféricas das metrópoles se tornaram perigosas e começaram a ser evitadas pelos biólogos. “Num dos locais que visitamos em busca da guarajuba, havia inúmeras carcaças de carros roubados. A equipe ficou com bastante medo.”

No fim de outubro, Fernandez voltou de uma temporada na Inglaterra, onde fez mestrado. Trabalhando nos laboratórios dos Jardins Botânicos Reais de Kew, em Londres, analisou a diversidade genética dos espécimes coletados no Rio. Os resultados, ainda não publicados, mostraram que a população da Tijuca é muito variada. Trata-se de uma boa notícia, pois essa característica revela-se essencial para viabilizar a reintrodução da espécie em áreas de onde desapareceu. Afinal, quanto maior a variedade de guarajubas descobertas, maior a chance de a árvore se adaptar em diferentes lugares.

O biólogo dedica-se agora a elaborar um plano de ação para proteger a Terminalia. O primeiro passo será modificar a classificação oficial dela. Enquanto for considerada extinta, a árvore permanece fora do radar das políticas públicas. Caso a avaliação se altere, a guarajuba poderá ser alvo de diversas iniciativas de conservação. No início de 2017, Fernandez pretende enviar as conclusões de sua pesquisa aos responsáveis pela Lista Vermelha, reivindicando que a espécie mude de categoria. Ele aposta que a árvore fluminense ganhará o status de “em perigo”.