UN call for more action from actors of the economy (Em Portugues)

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Valor, Vietnam

Economia global tem de acelerar mudança

Principais autoridades da ONU em desenvolvimento e ambiente alertam para a falta de ação

O mundo precisa acelerar o processo de transformação de suas economias e o setor produtivo e o mercado financeiro são pilares-chaves da mudança. Esta opinião é compartilhada pelas duas maiores autoridades das Nações Unidas em desenvolvimento e ambiente, o alemão Achim Steiner, diretor-executivo do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) e o norueguês Erik Solheim, diretor-executivo da ONU Meio Ambiente, formalmente conhecida por Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente.

Erik Solheim / Credit: UNIDO CC

Steiner elogia os avanços dos últimos 10 anos na agenda ambiental e o engajamento do setor privado na criação do Acordo de Paris em 2015. Mas lista os graves problemas do mundo e a lentidão na capacidade de resposta global. “As emissões não estão baixando o suficiente, os níveis globais de produção e consumo são insustentáveis assim como a intensidade da poluição atmosférica. Produzimos mais plástico nos últimos 30 anos do que na história inteira da humanidade”, diz.

Suas críticas, contudo, também têm como alvo o setor privado, o mercado financeiro e os investidores de capital que “não estão fazendo o tipo de investimento na escala necessária, não estão nem perto disso.” Ele cita investimentos globais, desde 2010, de US$ 20 bilhões em gerenciamento sustentável de florestas e compara com US$ 777 bilhões, no mesmo período, no rumo contrário — em mudança do uso da terra e desmatamento. “A economia está inundada por múltiplos atores que estão fazendo a coisa errada, pelo menos em sustentabilidade a longo prazo.”

Solheim, que marca sua gestão pelo combate ao uso desenfreado de plásticos descartáveis e a poluição nos oceanos, diz que o caminho da mudança tem que acontecer pelo fortalecimento da consciência pública dos problemas. Este é o motor que pressiona políticos e a economia a se transformarem. O importante, sinaliza, é trazer questões ambientais que façam sentido às pessoas.

“Falhamos como ambientalistas quando levantamos tópicos teóricos que parecem ter saído do espaço sideral”, diz ele. “Precisamos fazer a conexão entre a vida privada e o quadro maior”, recomenda.

Steiner e Solheim estiveram há poucos dias em Da Nang, no Vietnã, participando da 6 Assembleia do Global Environment Facility (GEF), reunião que define as prioridades do mais tradicional fundo ambiental global. Ali falaram ao Valor e a oito jornalistas asiáticos. A seguir trechos das entrevistas: